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Robótica Decolonial

Como não cometer os mesmos erros do passado com a robótica

Introdução:

Todos os problemas derivados de hoje chamados de “notícias falsas” vêm como resultado do modelo de negócios chamado Bigdata. Bigdata tenta fazer do mundo uma sociedade pasteurizada. Em um processo de colonização, matando etnicamente pessoas de outras nações e isso empobrece o desenvolvimento tecnológico, além de claro, causar grandes problemas sociais. Mostraremos o quanto esse modelo de negócios está fadado a dar errado e como a robótica é muito melhor aplicada ao compreender a maneira descolonial de fazê-la.

O que está errado?

No passado, europeus chegavam à América e faziam exatamente o que “aplicativos” e tecnologias como a “robótica” fazem hoje. Invandem o espaço sem tentar entender como aquela outra sociedade funcionava. Tampouco compreendem os benefícios sociais, humanos e culturais que poderiam adquirir se não impusessem à força o modelo de negócios (economia extrativista) que estavam viciados. Se fizessem um pequeno esforço, talvez percebessem que o esgoto e a drenagem que os maias sabiam construir poderiam avançar como sociedade 350 anos. Ou, eles poderiam ter obtido o conhecimento astronômico dos Incas e avançado na ciência cerca de 200 anos. Mas, como sabemos, isso estava longe da percepção dos colonizadores. A única coisa que importava era o ouro e qualquer outra forma de exploração[1]BUENO, Eduardo. Título: Brasil Um História. Editora: Laya, 2013. O mesmo ocorre com a tecnologia e o ensino da robótica hoje. É apenas uma tentativa forçada de impor um modelo de negócios. Tornando a sabedoria local irrelevante. E pouco colaborando para qualquer evolução social. Por mais contraditório que possa parecer, é impossível ensinar sem aprender algo[2]FREIRE, Paulo. Título: Pedagogia do Oprimido. Editora: Terra e Paz, 2013. E aí está o problema, é preciso fazer uma robótica decolonialista. Crianças e adolescentes em todo o mundo são muito diferentes e muitas vezes se sentem completamente incomodados com a forma como esse tipo de educação é imposta. Porque todos os sígnos, significados e estrutura estão relacionados com os países que conseguiram avançar. E isso é impor uma cultura sobre a outra, domínio social, assim como Florestan Fernandes dizia sobre as empresas estrangeras que aparentemente “viam dar emprego”, elas também viam impor a cultura de outros lugares, o meio de produção é também um local cultural, e muitas vezes de construção da cultura. Porque talvez nos Estados Unidos as pessoas queiram criar telefones celulares. Mas em uma aldeia no meio da Amazônia as pessoas queiram criar outras tecnologias para se comunicar com a floresta (sensores), talvez o “reality show” seja o grande show que uma floresta dá, e não percebemos. Isso só será possível se descolonizarmos a tecnologia.

Exemplo de tecnologia decolonial

Arquitetura Decolonial

Segundo estudos de F. Almeida [3]ARQUITETURA INDIGENA ALMEIDA F. W. 1, YAMASHITA, A. C., a tecnologia indígena brasileira pode ser aplicada em diversos aspectos para melhorar a forma de construção de ambientes ecologicamente renováveis. Isso significa que a tecnologia, e principalmente a robótica devem ter cuidado para não atropelar o que já está sendo feito lá. Se não houver cuidado, podemos regredir o processo tecnológico em 200 anos ou mais. Como fizemos no passado. Somente hoje, muitas tecnologias dos povos ancestrais da América estão sendo analisadas, e coisas extremamente avançadas que poderiam ser usadas no dia a dia estão sendo descobertas e tenta uma visão desconstruída e adaptada.

Muitos desses resultados podem ser vistos no livro “Tecnologia Indígena em Mato Grosso: Habitação”, lançado em 2010.

Como descolonizar a robótica:

O pior cenário seria iniciar o processo com um kit de robótica pronto, com metodologia e linguagem proprietárias. Existem empresas como a Lego que criam kits de robótica com peças próprias e com linguagem de programação que só beneficia a venda, o lucro. Metodologias como Steam, são suspeitas também. Trazem palavras de um estrangeirismo desnecessário. A criança trás com ela vários elementos do que a história da sua ancestralidade tem, e nada disso é levado em consideração com esses Kits importados ou padronizados.

O melhor cenário é construir materiais da perspectiva de quem está aprendendo[4]FREIRE, Paulo. Título: Pedagogia do Oprimido. Editora: Terra e Paz, 2013 , usar tecnologias abertas como o Arduino e seus derivados e materiais que são análogos ao ambiente educacional, como papel e tinta. E aí vem a tinta condutora, fita condutora e derivados. Onde o aluno pode se familiarizar com o processo, e abre espaço para criar uma narrativa sobre o como fazer, o como olhar e o como aprender. Quando você aceita soluções muito prontas como dessas empresas multinacionais; que espaço há para um outro olhar, fazer e aprender se tudo está pronto, basta treinar?

Conclusão:

Tecnologia indígena brasileira

A tecnologia hoje é colonialista, o big brother já existe e há uma obrigação ética de criar mecanismos de autodefesa. Notícias falsas, desemprego em massa, etc. São consequência de uma tecnologia usada para dominar. A forma de criar esses mecanismos é promover a tecnologia baseada na cultura local, ou seja compreender a cultura e criar meio de produção a partir dessa visão cultural. Isso beneficia a própria tecnologia, pois há uma pluralidade de como resolver o mesmo problema, permitindo mais oportunidades para o capital humano local se desenvolver de forma única, protegendo a economia e colaborando para uma melhor tecnologia mundial.

Referências   [ + ]

1. BUENO, Eduardo. Título: Brasil Um História. Editora: Laya, 2013
2, 4. FREIRE, Paulo. Título: Pedagogia do Oprimido. Editora: Terra e Paz, 2013
3. ARQUITETURA INDIGENA ALMEIDA F. W. 1, YAMASHITA, A. C.