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Ogues

Placas de Circuito Impresso Adaptada Para o Uso Manual

Objetivo

(A) Pernas de LED pontiagudas.

Os componentes eletrônicos (LED, Sensores, Botões, Placas e etc) podem causar danos por serem espinhosos e duros como pode ser visto na imagem “A”. Há algumas alternativas no mercado de componentes adaptados para a dita “robótica” e seus “kits”. Mas todos eles tem um custo elevado e também não são análogos ao componente real. E isso é um problema, pois é uma abstração muito grande dos padrões elétricos que o educando precisa ter para poder desenvolver tecnologia sem depender de produtos de patente. Como temos como uma das nossas bases pedagógicas a Pedagogia da Autonomia[1]FREIRE, Paulo. Título: A Pedagogia da Autonomia. Edição 40. São Paulo: Terra e Paz, 2011, atrelar a aprendizagem do educando à normas e tecnologias patenteadas ou de dependência de soluções não abertas, iria de desencontro com o que acreditamos.

(B) LEDs dentro de peças, não visível.

Uma outra questão forte, é que tais empresas que fabricam “soluções” para kits educacionais, escondem o componente da visão do educando (veja na imagem “B” um exemplo) e isso deseduca, pois o educando não sabe exatamente com o que está interagindo. Pensando nisso, é preciso desenvolver uma solução que facilita o manuseio por mãos humanas, mas ao mesmo tempo não abstrai o real componente da visão e da investigação. Além disso, é preciso ter um formato para ser seguro no que diz respeito a não ter partes perigosas e não ser possível de engolir pelo tamanho. Com essa necessidade, projetamos nosso próprio componente para trabalhar de forma lúdica, segura e compatível com Wearble e Arte Eletrônica sendo compatível metodologia Steam.

Como Projetar Uma Placa

(C) Processo de prototipagem de PCI “caseiro”.

Para resolver o problema foi necessário desenvolver um Circuito de Placa Impressa (conhecida pela sigla PCI). Há várias maneiras de prototipagem para criar uma PCI. Um deles é usando uma placa de fenolite cobreada (imagem C) . Esse processo não foi utilizado, por se tratar de uma placa simples. Utilizamos um aplicativo open source chamado Kicad. Esse aplicativo é compatível com a maioria dos sistemas operacionais como Linux, Windows e iOS. É um aplicativo voltado para engenharia da computação. Mas conta com uma razoável facilidade para amadores.

Usando o KiCad

Nosso objetivo era criar uma “plaquinha” que pudéssemos usar com tinta condutiva, linha condutiva e trilha condutiva. Que fosse de fácil manuseio, sendo possível visualizar o componente sem obstrução, que não fosse possível ser engolido por uma criança e que fosse simples e fácil de entender.

Com isso em mente desenhamos nossa placa, aliás várias placas, pois há várias variações dela. Para LED, para Sensores, para botões e outros.

Projetando Placa Ogue no KiCad
Visualizador 3D do Kicad de uma das placas Oguês

O resultado final ficou parecendo uma folha, o qual deu nome a placa. Para reforçar uma tecnologia decolonial, e dar base para uma pedagogia decolonialistas[2]FERNANDES, Luiz; FERRÃO, Vera. Título: Pedagogia decolonial e educação antirracista e intercultural no Brasil. Rio De Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. 2009, procuramos no dicionário Guarani, e encontramos o termo “Ogue” para folha. E assim foi batizado. Ogues.

Produção

Para produção, é necessário gerar os arquivos Gerbers, são arquivos de padrão industrial, o KiCad gera facilmente esses arquivos de forma rápida. Bastou ligar na fábrica de PCI e pedir especificações. É gerado alguns arquivos numa pasta, basta zipar e mandar para fabricação.

Usando

Usado com uma fita autocolante condutiva e tinta condutiva, pode-se criar várias artes eletrônicas o que dialoga com novas metodologias como a metodologia Steam, ultimamente difundida. Veja o exemplo na imagem “D”.

(D) uso dos Ogues

Os componentes comuns não foram feitos para usar numa folha de papel, nem em tecido ou outro suporte artístico. Uma das coisas que o Ogues fazem é deixar o componente em uma posição confortável para “soldá-los” com tinha conduta, ou costurá-los com linha condutiva, e outras soluções mais práticas e mais lúdicas.

Numa experiência que pode ser vista na imagem “F” fizemos um tipo de flor, já que os Ogues tem uma forma parecida com folhas. Essa flor, é feita de quatro folhas/Ogues que contém os seguintes componentes: sensor de luz (LDR), Transistor BC457 PNP, resistor 100k, um LED de 10mm, fita adesiva condutiva, tinta condutiva (solda) e 2 baterias de 3 volts CR2032. Todos esses materiais podem ser adquiridos em nossa loja.

O resultado é uma “flor”, que reponde a iluminação. Se estiver escuro ela acende, se estiver claro ela apaga. A tecnologia funciona da seguinte maneira: O sensor de luz, bloqueia a energia quando escuro, se apenas usássemos o LED e o sensor de luz, o efeito seria ao contrário. Por isso usa-se mais dois outros componentes, um resistor e um transistor. Esses dois itens tem a função de inverter o efeito do sensor. Para isso, o resistor de 100k “passa a energia” mais lenta do que o sensor de luz (que é um resistor também), quando a iluminação diminui o sensor resiste mais “desacelerando a energia” deixando que a energia do resistor passe para o transistor que “abre a torneira” para passar a energia para o LED e então ele acende.

Claro que não é necessário entender a fundo para colocar esse projeto no ambiente educativo, pois o próprio educador pode junto com os alunos investigar porque esses componentes interagem dessa maneira. O que será uma experiência enriquecedora.

Esse projeto é excelente para explicar o funcionamento dos elétrons/energia elétrica e pode ajudar a cumprir com a BNCC no itens EM13CNT107, EF05GE007 e outros.

Conclusão

Ogues são materiais para solucionar um problema que acontece quando tentamos aplicar componentes originais (o que é importante para o aprendizado) numa arte tecnológica, ou em tecnologias análogas a pedagogia. O próprio formato do Ogues já se adapta a relação humana com a tecnologia.

Referências   [ + ]